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Em ascensão, brasileiros festejam pódio no Blancpain

No último final de semana, na etapa de Paul Ricard do Blancpain Endurance, Rodrigo Baptista conquistou o primeiro pódio no ano de estreia na categoria ao chegar em terceiro lugar com a Audi.

Ao lado do parceiro usual Filipe Albuquerque e do convidado Jan Magnussen – que substituiu Sérgio Jimenez, que tinha compromissos com a Stock Car – Baptista fez parte da prova de recuperação que levou o #3 de 20º no grid de largada para o pódio inédito.

O jovem piloto conversou com o Motorsport.com Brasil após o terceiro lugar em Paul Ricard e destacou o trabalho do engenheiro do time, que mudou a estratégia e o colocou em condições de ganhar tempo na participação dele na prova.

“O engenheiro decidiu fazer uma estratégia meio arriscada, mas que nos permitiu ganhar bastante tempo, que foi andar dois stints com o mesmo jogo de pneus. A bandeira amarela ajudou na diminuição do desgaste dos pneus, mas acabou atrapalhando porque eu perdi a temperatura dos compostos e foi complicado retomar, então perdi um pouco de rendimento. No geral, eu diria que – sem tirar o papel dos pilotos – foi mérito foi do engenheiro, que conseguiu agir rápido e pensar em uma estratégia muito boa”, disse.

Além disso, Baptista ressaltou que os treinos e a ajuda dos pilotos mais experientes com quem ele tem trabalhado ajuda na evolução no ano de estreia com a Audi.

“É meio difícil de avaliar, mas desde que assinamos para correr aqui, focamos em fazer o máximo de treinos possível, para eu conseguir pegar a mão do carro e tentar evoluir. Creio que treinar me ajudou bastante, pois nas corridas seguintes eu já tive um ritmo bem melhor. Cada vez mais eu pego a mão do carro, entendendo mais como ele funciona e Paul Ricard foi uma prova disso. Consegui, mesmo com um jogo de pneus por duas horas, consegui manter um bom ritmo”, ponderou.

“Além disso, algo que me ajuda demais na evolução é correr com pilotos experientes. Desta vez Jimenez não estava conosco, mas tivemos o Magnussen com a gente, que também traz muita experiência, além do Filipe, que é piloto da Audi. O bom é que conseguimos comparar os dados de cada piloto, o que me permite ver onde estou errando. Isso me ajuda agora e vai continuar a ajudar daqui para frente”, afirmou.

Por fim, Baptista destacou que o caminho para melhores e resultados e para a primeira vitória dependem, antes de mais nada, de equipe e pilotos do #3 encontrarem um acerto melhor para as classificações, o ‘calcanhar de Aquiles’ no momento.

“Acho que o que falta mais é achar um acerto bom para a classificação. Sabemos que, na corrida, nosso carro é bom e sempre conseguimos ganhar posições. Em termos de pit stop, temos uma boa equipe – sempre ganhamos posições nas paradas. Nossos pilotos também são bons, então nosso problema é realmente a classificação. Se largarmos mais à frente, a corrida fica bem diferente das provas de recuperação que estamos fazendo”, completou.

Jimenez: “muito feliz” com evolução de Baptista

Jimenez não pôde disputar a etapa em Paul Ricard, mas acompanhou atentamente os passos do carro #3 e celebrou o pódio. O piloto também destacou a evolução de Baptista desde o início da temporada,

“Este é o começo de bons resultados que esperamos colher. Estamos em um time oficial da Audi. É um carro novo, mas sabíamos que uma hora iríamos nos acertar. Tivemos já uma boa velocidade no primeiro treino em Paul Ricard – entre os sete primeiros tinham cinco carros da equipe”, disse.

“Nosso carro era muito constante, e o Rodrigo consegue ir se adaptando e evoluindo durante o stint. Isso é o que ele precisa: tempo no carro para crescer e melhorar, diminuindo o ‘gap’ que ele tem para mim e para o Filipe ainda”, afirmou.

“Fico muito feliz de ver ele crescer. Falei com ele e com o Filipe depois do resultado e me sinto grato por fazer parte deste trabalho e deste desenvolvimento dele. Neste ano fizemos sete treinos fora das corridas juntos. A cada treino ele vem evoluindo e se acostumando com o carro.”

“Ontem até recebi uma mensagem do meu engenheiro inglês que falou que gostaria que eu estivesse lá compartilhando este pódio e que eu fazia parte do projeto. Fiquei muito lisonjeado, e sobre o Rodrigo ele disse que o ritmo dele foi incrível na corrida. Para este ano é ganhar experiência, e para o ano que vem é estar mais forte para estarmos mais à frente ainda.”

Jimenez revelou ainda que participou da escolha do veterano Jan Magnussen que o substituiu em Paul Ricard e encerrou destacando que o projeto com a Audi no Blancpain é de longo prazo.

“O dono da equipe, Vincent Vosse, andou com ele na Fórmula 3 nos anos 90. Ele é muito amigo do Jan Magnussen. Quando soubemos que eu não podia, o Vincent sugeriu ele e eu na hora concordei. É um cara que andou de Fórmula 1, ganhou Le Mans quatro vezes e tem uma grande experiência em GT. Fez a lição de casa: nunca andou no carro e não fez também nenhuma besteira. Ele conseguiu levar o time para frente.”

“Nossa ideia é ficar no mínimo três anos lá. Neste ano estamos aprendendo, já que o Rodrigo não conhecia as pistas nem o carro. Um Audi, tração traseira, 1200 kg e 600 cv. É praticamente o F3 que ele andou. Acho que no ano que vem já vamos estar competitivos, mas no terceiro ano vamos estar lutando sempre pela vitória”, encerrou.

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